Abril de 2009

“VAI, RETOMA O CAMINHO REAVIVA
O DOM DE DEUS EM TI”

1. O Caminho se faz...
Continuamos a percorrer o caminho de conversão, de mudança de vida, agora ainda com maior intensidade, já que nos aproximamos da celebração da Páscoa. Sintamos ressoar em nossos ouvidos as mesmas palavras que Deus disse à Israel, seu povo eleito, num tempo de deserto e de crise: “volta, Virgem de Israel”! Porque “há esperança para o teu futuro”!

(preparação do ambiente segundo a criatividade da animadora)
Saudação à Trindade
Invocação ao Espírito Santo: canto ou oração

2. Na escuta da Palavra
Lectio: Jr 31, 15-17.21-22

No tempo do profeta Jeremias
Quem de nós não se deixa tocar pelo testemunho do profeta Jeremias! Ele era de família sacerdotal, mas nunca atuou como sacerdote. Ainda muito jovem, recebeu a vocação profética, e toda a sua vida será marcada por uma grande luta com Javé, pois não se sente atraído para esta missão: se apavora diante dela, considera-se incapaz e despreparado. Deus, porém, não admite desculpas e pede a ele a tarefa mais difícil: a de transmitir a sua palavra em uns anos cruciais e trágicos da história de Judá: queda de Jerusalém e o exílio da Babilônia.
Da vida de Jeremias, podemos destacar alguns momentos fortes: viveu o sofrimento e a dor da incompreensão (36-39); a solidão e a aflição; todo o seu corpo tremia ao pensar no ataque dos inimigos (4,19-21); chorou quando viu o sofrimento do povo (14,17-18); foi levado ao Egito contra a sua vontade, perseguido e preso várias vezes, diante de todos estes desafios, Deus permanece firme com ele, mas lhe garante: “Eu estou contigo, para te salvar e te livrar” (Jr 15, 20b-21).
Há esperança para o teu futuro!
O texto que vamos refletir está dentro do livro da consolação (31-32), e retrata o tempo da restauração. É um dos capítulos mais importantes do livro, cuja mensagem central é a Esperança:
Jeremias transmite aos “sobreviventes de Israel”, a certeza do amor e da fidelidade eterna de Javé; num país distante recebem o anúncio de que retornarão à pátria e será inaugurada uma nova era, de alegria e bem-estar!
Ao ouvir esta boa notícia, o povo não acredita. Esta desconfiança do povo é representada aqui pela voz, pela lamentação e choro amargo da “matriarca” Raquel que não quer ser consolada. Javé diante desta objeção responde com o Dom do seu amor incondicionado e reafirma sua promessa de fecundidade: “Há esperança para o teu futuro”!
Nos versículos 21-22, ainda se nota a resistência em voltar à Javé, Ele dirige à Israel mais uma vez um convite urgente e extremo: “Volta, Virgem de Israel”! A partir do sim do povo, Deus começará a criar novamente. A experiência de sofrimento vivida por Israel, não é estéril, mas muito fecunda e mais uma vez como no êxodo, Israel através da libertação do exílio, do retorno à pátria, faz a profunda experiência da criação e da salvação que vem de Deus!

Meditação
Re-lendo o texto
• A desolação e o sofrimento fazem o povo não acreditar nas promessas de Deus;
• Deus é fiel: o Pai de toda a consolação! Deus da Esperança!
• Motiva o povo a dar os primeiros passos: “levanta marcos para ti, coloca indicadores de caminho”...
• Mesmo diante da infidelidade, Javé não deixa de dirigir constantemente seu convite ao seu povo eleito: “Volta, virgem de Israel”!

3. Em comunhão com a Igreja
A nós consagradas, enquanto testemunhas da busca de Deus, o documento Faciem tuam , sobre o serviço da autoridade e a obediência, faz um forte questionamento:
“O que procura o teu coração? Buscas-te a ti mesmo ou buscas o senhor teu Deus? Segues os teus próprios desejos ou o d’Aquele que criou o teu coração e o quer levar à realização, como Ele mesmo bem sabe e conhece? Corres atrás de coisas fugazes ou procuras Aquele que não passa?” (FT 4).

4. Em comunhão com a nossa família religiosa
“Levanta marcos para ti, coloca indicadores de caminho”. Estas palavras do profeta a Israel, ilumina a nossa caminhada de irmãs de Santa Ana, pois vivemos este momento histórico de “colocar as estacas e marcar o caminho” por onde queremos percorrer, porque uma estrada se abre para nós: A nossa Regra de vida. Acolhendo-a e colocando em prática os valores característicos de nossa congregação que ela nos apresenta, nós reconhecemos que ela contém um itinerário de seguimento a Cristo e é um caminho seguro que nos conduz à verdadeira felicidade e ao sentido mais profundo da nossa vida!

Por ocasião de sua visita ao Brasil em 2004, a Madre Franceschina, partindo do texto do jovem rico, deixou para cada uma de nós esta reflexão:
“Uma só coisa te falta: vai, vende tudo o que tens dá aos pobres e terás um tesouro nos céu; depois vem e segue-me (Mc 10,21b)
“[...] No processo de renovação da Vida consagrada hoje, uma só coisa falta, que não é pouco, é o essencial que muitas vezes é esquecido. A Vida religiosa deve voltar ao essencial, àquela “raiz santa” da qual ela nasceu: Jesus Cristo, o Evangelho do Reino, somente Ele é a razão pela qual somos religiosas [...] é urgente que voltemos à escola do Evangelho, a ser discípulas, que convidadas por Jesus se colocam em seu seguimento, na certeza de que com Ele e por Ele, podemos fazer a experiência da paternidade de Deus, de sermos filhas no Filho [...].
Pontos de reflexão
- Caminhamos entre fidelidade e infidelidades, mas Deus sempre nos faz o convite: “Volta”!...
- Todo percurso, precisa ser projetado, marcado. Por onde estamos caminhando? De que modo estamos sinalizando o nosso percurso?
- Para dar passos, é fundamental a confiança, de que como Deus criou a partir do “nada”, Ele continua a criar. Nós é que precisamos acreditar que “uma outra realidade é possível, se a gente quiser”.

Oração
Meu Pai,
Eu me abandono a ti,
Faz de mim o que quiseres.
O que fizeres de mim, Eu te agradeço.
Estou pronto para tudo, aceito tudo.
Desde que a Tua vontade se faça em mim

E em tudo o que Tu criastes,
Nada mais quero, me Deus.
Nas tuas mãos entrego a minha vida.
Eu te dou, me Deus,
Com todo o amor do meu coração,
Porque te amo
E é para mim uma necessidade de amor dar-me,
Entregar-me nas tuas mãos sem medida
Com uma confiança infinita
Porque tu és...
Meu Pai!
(Charles de Foucauld)

Sugestões de textos para abril:
Mc 14,3-9
Lc 22, 14 – 20 ou Jo 13, 1 – 20
Jo 20,11-18 ; Jo 21, 1-19


Março de 2009
“VAI RETOMA O CAMINHO REAVIVA
O DOM DE DEUS EM TI”

1. O Caminho se faz...
A igreja, como mãe e mestra, coloca-nos diante de um novo tempo: a quaresma. Abre, portanto para nós mais uma oportunidade de crescimento, afim que a “mulher nova”, renasça em nós!...
Queremos, iniciar este tempo quaresmal, pedindo ao Espírito, que Ele abra os nossos ouvidos e nos torne sensíveis aos apelos do Senhor, afim de que possamos ouvir Dele:
“Eis que vou fazer com que sejais penetrados pelo espírito e vivereis”! (Ez 37,5).
(preparação do ambiente, segundo a criatividade da animadora)

Saudação à Trindade
Canto ou oração ao Espírito Santo á escolha

2. Na escuta da Palavra
Lectio: Ez 37,1-14

No tempo do profeta Ezequiel
O texto sugerido remonta a um tempo de grande sofrimento e desolação na vida do povo judeu: o exílio na Babilônia. Ezequiel que era sacerdote no templo em Jerusalém é no exílio instrumento de Deus para reanimar o povo. É Ezequiel que se coloca em meio às desesperanças e tristezas das comunidades. Compreender a realidade do profeta servirá de ajuda para compreender sua mensagem para nós hoje.
O tempo do exílio na Babilônia é um momento fecundo para a reconstrução da vida do povo; pois haviam perdido tudo, o que até aquele momento, tinha sido a garantia visível da presença de Deus: O Templo, morada perpétua de Deus (1Rs 9,3), foi incendiado (2Rs 25,9). A Monarquia, fundada para durar sempre (2Sam 7,16), já não existia (2Rs 25,7). A Terra, cuja posse tinha sido garantida para sempre (Gn 13,15), passou a ser a propriedade dos inimigos, (2Rs 25,12; Jr 39,10; 52,16).
Nesta situação, Ezequiel aparece como o profeta da Esperança! Compartilha dos sofrimentos e insegurança do exílio e anima o resto de Israel, a crer que eles são o fermento de um novo começo, a crise certamente não é em vão: os amadurecerá na fé.
Visão dos ossos secos
Ezequiel tem a visão do vale dos ossos secos. Embranquecido pelo calor do sol, os ossos são um símbolo eloqüente da degradação e da morte, imagem simbólica de uma situação de colapso total, quando não há mais nenhuma esperança. Tal era a situação que vivia o povo no cativeiro. Quando a esperança está adormecida, e a identidade apagada, para o Resto de Israel, só existe um caminho: ouvir e praticar a Palavra de Deus a fim de que se reacenda a esperança de voltar para a sua pátria, por isso Javé, com uma grande força por três vezes exorta o profeta: “profetiza a estes ossos”(Ez 37, 4.9.12). Ou seja. Ou seja, a Palavra de Deus anunciada pelo profeta, recria a identidade do povo assim como reconstruiu a vida dos ossos ressequidos que voltaram à vida.
Na sua visão, Ezequiel diz que aqueles ossos sem vida reviveram pelo poder criador do Espírito de Deus que soprou sobre eles. Os ossos voltaram à vida. O povo certamente renascerá!O texto com seu rico, simbolismo revela a compaixão de Javé diante da situação miserável dos exilados na Babilônia. Neste cenário de morte, destacamos um outro elemento importante: o vento, o soprar de Deus.
Na platéia está o profeta espectador que é “acordado” de seu sonho pela mão de Javé. (v.1. ver também 3,22; 8,1; 11,24)
Do palco a cena se transfere para a platéia de onde o profeta, talvez inerte e aterrorizado é desafiado: a crer naquilo que os olhos não vêem: a vida no vale da morte. O profeta prefere transferir a responsabilidade: Senhor Javé, tu o sabes (v 3).
A palavra de Javé se torna uma ordem: primeiro aos ossos ( v 4) e depois ao vento (v 9).
Meditação

Re-lendo o texto
A ação de Javé se apresenta:
* antes de tudo no gesto das mãos
* Não questiona, mesmo quando o profeta prefere fazer de conta que não sabe.
* Conta com a participação do profeta
* Dos ossos recria um corpo
* O corpo mesmo que completo, sem o sopro de Deus, não funciona.

3. Em comunhão com a Igreja
Somos chamadas a “aderir sempre mais a Cristo, centro da vida consagrada, e retomar com vigor um caminho de conversão e de renovação que, como na experiência primitiva dos apóstolos, antes e depois da sua Ressurreição, foi um partir de Cristo Sim, deve-se partir de Cristo, porque Dele partiram os primeiros discípulos na Galiléia. d’Ele, ao longo da história da Igreja partiram homens e mulheres de todas as condições e culturas, os quais consagrados pelo Espírito à força do chamado recebido, por Ele deixaram família e pátria, seguindo-o incondicionalmente, tornando-se disponíveis para o anúncio do Reino e para fazer o bem a todos (At 10,38) (PdC 21).

4. Em comunhão com a nossa Família Religiosa
A Palavra que ouvimos, nos provoca a fazer uma reflexão, meditação sobre a nossa caminhada enquanto “povo amado, eleito para fazer parte da família religiosa das irmãs de Santa Ana”; enquanto “resto de Israel”, ao qual o Senhor convida a reconstruir a esperança.
Neste percurso, somos orientadas e animadas pela nossa Regra de Vida: “Deus não quer perder a obra saída de suas mãos”:A certeza do seu amor misericordioso, nos renova cada dia na esperança. Nele encontramos a força para viver as provações da vida como situações que nos unem à cruz do filho. Apoiadas somente Nele e não em nossas capacidades, procedemos alegres na esperança”.(RV 100)

Carlos Tancredi: “(...) e próprio tal liberdade, dom magnífico, sem o qual não se teria nem vício nem virtude, demonstrou-se infelizmente para o nosso primeiro pai um dom fatal. Adão, filho de Deus, fez-se escravo de satanás. Desobedeceu ao seu senhor, ao seu bem feitor. O que mais! Adão pecou!
E aquela terra pouco antes encantada e fecunda, já se faz árida, já vê com estremecimento despontar do próprio ventre, ruínas e espinhos (...). Portanto, o homem decaído e a sua descendência deserdada, estão perdidos para sempre! Por conseqüência, misérias lacrimáveis, a inevitável morte, suplícios eternos serão os frutos da culpa de Adão!
Adão não ousou esperar perdão. Quem pode agora salvá-lo! Somente aquele que ele ultrajava com tanta e monstruosa ingratidão! Não! Deus não quer perder a obra de suas mãos; por isso em uma segunda criação, mais sublime que a primeira faz reviver o homem à graça prometendo-lhe um Redentor” (Chamados à felicidade p. 21-23)

Pontos de reflexão
- Deus é fiel, Ele jamais abandona seu povo eleito;
- Neste ano jubilar (175anos de fundação), o Senhor deseja de nós uma verdadeira renovação e conversão do coração e da mente para viver com maior radicalidade a nossa Consagração;
- A escuta da Palavra de Deus; é o ponto de partida para um recomeço; para um caminho de conversão a fim de “voltar à terra prometida”;
- È o sopro de Javé, a força do seu Espírito que reaviva o Dom de Deus em nós!
Oração
È o momento de elevar a Deus o nosso louvor, pela sua fidelidade, pelo seu amor Providente e misericordioso, que a todo momento “sopra sob os ossos ressequidos”, infunde em nós o seu Espírito fazendo com que vivamos e revivamos.
Salmo: 118 - Celebrai a Javé, porque Ele é bom, porque o seu amor é para sempre!

Sugestões de textos para março:
Mc 8,34-38
Lc 15,11-32


A PALAVRA DE DEUS, GUIA PARA O NOSSO DISCERNIMENTO (julho – 2008)

“... Para discernir o que a Deus é agradável e perfeito...”

...A MIM O FIZESTES

“Que sejais levados ao pleno conhecimento da vontade de Deus...
Assim andareis de maneira digna do Senhor,
Dando frutos em boas obras” (Col 1,9-10)

Evangelho de Mateus (25,31-46)

Lectio

Todo outro é sempre o outro!
Estamos diante da clássica cena do juízo final, que Mateus coloca na conclusão do “Discurso Escatológico” e de toda a seção dos discursos de Jesus. O trecho, esplendido e único, é uma síntese da teologia de Mateus, e está em sintonia não só com os cc. 24-25, mas com todo o Evangelho: somos julgados em base ao que fazemos ao outro(Mt 7,12). Todo outro, é sempre o outro! De fato, o primeiro mandamento é igual ao segundo (Mt 22,39), porque o Senhor mesmo fez- se nosso próximo e está sempre conosco(MT 28,20) sob o sinal do Filho do homem: aquele do crucificado que tem o rosto de todos os pobres da terra. A narração coloca no centro o Filho do homem, que se identifica com os últimos. Acolher ou não a ele significa acolher ou não a salvação. A mensagem universal que podemos tirar é que cada homem é julgado em base ao seu amor pelo pequeno e o mais fraco. Mas no final o amor é o amor por Deus mesmo. De fato o amor é um premio para si mesmo porque é a alegria de uma relação, e a relação supõe sempre o outro, e enfim o Outro.

Quando – então
Cada vez que o fizestes a um desses meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes, o Senhor responderá a quem perguntará, no final, quando nunca o viram. Os advérbios “então” e “quando” são citados cinco vezes: “então”, isto é, no final, veremos que o “quando” é agora. E o “sinal” da sua vinda é aquele dos “meus irmãos mais pequenos” através dos quais ele está sempre presente em nosso meio. O final do discurso escatológico responde portanto, com exatidão, mesmo se de forma surpreendente, á pergunta do “quando” e de “quais sinais”, que os discípulos lhe fizeram no inicio(Mt 24,3).Maldição e benção
Cristo colocará as ovelhas á sua direita e os cabritos á sua esquerda. O critério do juízo é a prática efetiva e concreta do amor ao próximo, em particular para com os mais fracos e necessitados. Desde agora nós estamos construindo o nosso juízo final, baseado no fato de amar ou não o nosso próximo de verdade. A favor ou contra Cristo nos decidimos no confronto com os outros, escolhendo a doação ou o egoísmo.
Ninguém fugirá a um juízo que é seletivo. E a seleção será fruto de um discernimento que se limitará a desvendar o homem a si mesmo. Maldição ou benção, entrada no Reino preparado desde a fundação do mundo ou não, darão a esperada conseqüência da própria vivencia. Cada um recolhe aquilo que semeou.
Por vivencia se entende o comportamento concreto assumido na relação com o faminto, o sedento, o forasteiro, o nu, o doente e o preso. Concreto que significa dar pão, água, hospitalidade, vestes e visita. Em síntese, cada criatura madura o seu juízo comobenção ou maldição em base ao seu ser ou não benção ao homem e á mulher necessitado. Na atenção ao pobre a benção de Deus tem um inicio sem fim. Benção que o Pai cumpre através do julgamento discriminante do Filho. (cfr. FAUSTI S., Uma comunitá legge Il Vangelo di Matteo; BRUNI G. Dalla Parola alla vita).

Resonancia Carismatica:
“Como eu e aquelas pobres mulheres éramos da mesma espécie, filhas do mesmo Pai. Também elas eram uma planta do céu! Elas tiveram uma idade da inocência! Elas foram chamadas á mesma herança celeste! Oh, meu Deus!” (Giulia Colbert, Com gli occhi Del cuore, p. 30).
Um cárcere não é outra coisa que um hospital de almas, onde desafortunadamente a maior parte dos males são mortais? Ah, façamos o bem aos bons porque eles o merecem e aos maus para faze - los conhecer o bem, para tocar, tornar terno o coração deles! Nada do que se doa por caridade será perdido. Doemos sem calcular e Deus calculará para nós. (Giulia Colbert, Com gliocchi Del cuore, p. 44).

Meditatio:
- A ultima medida do julgamento não é a devoção para com Deus que não se vê, mas a paixão pelo pobre, que todos possam ver e encontrar.
- Me realizo como filha vivendo como irmã. De fato, toda a lei se reduz em amar o Senhor e o próximo com o mesmo ato de amor, porque Ele se fez meu próximo e irmão no Filho.
- O julgamento que o rei fará de nós “então” é o mesmo que nós fazemos agora do pobre. Na realidade somos nós a julga- lo, acolhendo- o ou afastado- o. Ele não fará outra coisa que constatar aquilo que nós fazemos.
- “Venha o teu reino”: Este alegre fim será fruto somente da ação salvadora e misericordiosa de Deus e não fruto das nossas obras. Será um julgamento feito sobre as bases da caridade fraterna, que trará á luz a fé, a esperança e a caridade praticadas na nossa vida terrena.

Oratio:
* Senhor, você se fez nosso irmão e nos revelou o amor misericordioso do Pai... Obrigado Senhor!
* Senhor, não reconhecemos a tua imagem e semelhança em nós e no nosso próximo... Senhor piedade!
* Senhor, compreendemos que o essencial da vida não é crer em ti com palavras, mas praticar o amor concreto pelos pequenos, os pobres, os últimos... Senhor daí – nos o teu Espírito!!

Contemplatio:
“ O meu doce Jesus! O melhor, o mais piedoso entre todos os patrões, porque desejas ser obedecido somente para tornar feliz quem te serve. Gastastes todos os teus dias em arrecadar contínuos benefícios e com a tua inexaurível bondade concedeu aos cegos a visão do céu, aos surdos o privilegio de ouvir os próprios irmãos. Tu, que tanto amastes os pobres e os infelizes, curastes os enfermos e ressuscitastes os mortos!” (Chiamati alla felicitá, p. 46)

Actio: Façamos com que esta Palavra torne- se pão cotidiano para nós, para partilhar com os outros.


Ano 2008

A palavra de Deus, guia para o nosso discernimento


“...Para discernir o que é agradável a Deus e perfeito...”


VER ALÉM DO VISIVEL

“Eu sou a luz do mundo; quem me seque não
andara nas trevas, mas terá a luz da vida”
(Jo 8,12)

Do evangelho segundo João (9, 1.6-9.13-17.34-41)

Ao passar Jesus viu um cego de nascença. Dizendo isso, Jesus cuspiu no chão, fez barro com a saliva e com o barro ungiu os olhos do cego. E disse: “Vá se lavar na piscina de Siloé.” (O Enviado). O cego foi, lavou-se, e voltou enxergando. Os vizinhos e os que costumavam ver o cego, pois ele era mendigo, perguntavam: “Não é ele que ficava sentado pedindo esmola?” Uns diziam: “É ele mesmo.”
_ Então levaram aos fariseus aquele que tinha sido cego. Era sábado o dia em que Jesus Fez o barro e abriu os olhos do cego.
Então os fariseus lhe perguntaram como é que tinha recuperado a vista. Ele disse: “Alguém colocou barro nos meus olhos, eu me lavei, e estou enxergando.” Então os fariseus disseram: “Esse homem não pode vir de Deus; ele não guarda o sábado.” Outros diziam: “Mas como pode um pecador realizar esses sinais?” E havia divisão entre eles. Perguntaram outra vez ao que tinha sido cego:“ O que você diz do homem que abriu seus olhos?” Ele respondeu: “É um profeta.” Eles disseram: “Você nasceu inteirinho no pecado e quer nos ensinar?” E o expulsaram. Jesus, ouvindo dizer que tinha expulso aquele que fora cego, foi a procura dele e perguntou-lhe: “Você acredita no Filho do Homem?” Ele respondeu:“Quem é ele, senhor, para que eu acredite nele?” Jesus disse: “Você o está vendo; é aquele que está falando com você.” O cego que tinha sido curado disse: “Eu acredito, Senhor.” E se ajoelhou diante de Jesus.

_ Então Jesus disse: “Eu vim a este mundo para um julgamento, a fim de que os que não vêem vejam, e os que vêem se tornem cegos.” Alguns fariseus que estavam perto dele ouviram isso e disseram: “Será que também somos cegos?” Jesus respondeu: “Se vocês fossem cegos, não teriam nenhum pecado. Mas como vocês dizem: ‘Nos vemos’, o pecado de vocês permanece.”

Lectio:

O relato do cego de nascença adquire todo o seu alcance teológico (kerigmatico, pascal e batismal juntos) do contexto no qual está inserido: a festa dos tabernáculos(Jo7-10) durante a qual Jesus se revela “Luz do mundo”(8,12) suscitando logo após a polemica com os Judeus. O milagre acontece junto ao templo por obra de Jesus mesmo. O doente não decide nada. E Jesus que pousa a olhar sobre ele. Só depois os discípulos tomam a palavra, enquanto o cego ainda não fala. E o discurso encaminha-se para um tema fundamental: para o significado do sofrimento, que a mentalidade do tempo ligava ao pecado. Jesus afirma com clareza: “Não foi ele que pecou, nem seus pais” (Jo 9,3). A cegueira indica a situação natural do homem. Todos somos cegos desde o nascimento. Todos somos “doentes”, e doentes de uma doença tão grave ao ponto de não ter forças, para voltar-se a somente aquele que pode curar. É o medico que toma a iniciativa. Os seus gestos reforçam aqueles da primeira criação (cfr. O barro que é colocado sobre os olhos: v.6). Para que o homem possa ver a luz e necessário uma nova criação. Depois Jesus da uma ordem e o cego, diferente do 1º Adão, obedece. Ele não conhece Jesus é uma ato da mais grande fé, do total abandono. Dele, então, surge uma sabedoria que uma do alto as prestar a verdadeira gloria a Deus com as palavras e a adoração (zevini – cabra, lectio divina, vol.3).

Ressonância carismática:

“O espírito do mal e do orgulho domina Adão, e o seu habito pestífero difundiu horror e temor lá onde antes tudo era paz e celeste harmonia...
Adão não ousou não espera o perdão. Quem pode agora salva-lo! Somente aquele que ele ultrajava com tanta e monstruosa gratidão!
Não! Deus não quer perder a obra de suas mãos; por isso em uma 2º criação, mais sublime que a primeira, faz reviver o homem a graça prometido-lhe um redentor...”
Adão compreendeu portanto a enormidade do próprio erro... “Há não!”, exclama, inclinando a cabeça com profunda humilhação, “Não! Não me amaldiçoai,vos todos que nascereis de um pai culpável! Lembrai-vos que Deus, enternecido pelos meus prantos, criou a esperança, que conforta o meu arrependimento e suaviza as vossas dores!.” (chamados a felicidade, pp. 22a 24).
“Reconheci através de seus solícitos olhares que Papai queria que eu me abandonasse totalmente nele; assim o fiz e com um vivo impulso saído do coração lhe disse: Meu Deus, sabeis que não tenho outra vontade que aquela de cumprir sempre e em tudo a vossa vontade divina, de vos dar gosto, e de procurar o bem do nosso caro Instituto, as custa de qualquer pena e humilhação.
Após dizer estas palavras, o meu querido Papai dirigiu a mim um inexplicável olhar de bondade que, enquanto iluminou-me para conhecer a sua satisfação por esta minha disposição, renasceu sempre mais forte em mim o desejo de mi sacrificar e imolar em tudo e sempre a cara vontade e gosto de Deus (M . E //B, pp 615-616).

Meditatio

- O cego de nascença não pediu nada; não pode pedir aquilo que não vê. Jesus é o logos que ilumina cada dia, intervém em cada criatura humana, bem antes que esta tome consciência disso e o peça.
- A presença do verbo que é Luz, pode ser recusada, negada. O pecado torna tudo confuso, equivoco, sem significado...
Jesus pede para iluminar os ângulos escuros da nossa existência, de levar a plenitude a nossa vida, de afugentar o que é trevas em nós. Pede para nos encontrar-nos com Ele, que manifesta o Pai.
- É bonito ver do cego de nascença curado que começa a ver:
da testemunho: fala de Jesus como um homem que fez barro, lhe plasmou os olhos, lhe disse: “Vai a Siloé e lava-te.”

O reconhece como profeta: o cego reconhece Jesus como um homem que abre um futuro de esperança.


O reconhece como Mestre, como Aquele que disse coisa importantes, belas, como Aquele que vem de Deus...

Enfim, o chama de Senhor e faz a sua profissão de fé; “Ele se prostrou diante Dele e o adorou.”
O cego começa a ver, torna-se vidente quando encontra o Senhor!

Oratio:

Todos nos nascemos cegos... Todos fomos agradecidos e mira bolados por Jesus... Obrigado Senhor!

“Irmãs, antes vocês era, trevas, agora são luz no senhor”. Se não formos vigilantes e atentas, sobre nos ainda paira o perigo de caminharmos como cegas... Senhor piedade!

Cegueira e visão, luz e trevas, aberturas ou fechamento para com Cristo, luz do mundo... Vem, o Espírito Santo!


Comtemplatio:

“Te aconselho que compre de mim... um colírio para abrir os olhos, de modo que posso ver claro!...(Ap.3,18). Olhar como Deus olha...

Actio

Deixemos que Jesus coloque a sua saliva em nos que, unida a nossa terra, a nossa condição humana, nos tornem capaz de ver..., de olhar a essência das coisas,não a aparência.


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