CARTA DA IR. ANNA MARIA GAMBA – CONSELHEIRA GERAL
(março/ abril – 2009)

Queridas irmãs,

           Pela primeira vez me comunico com todas vocês e não vos escondo que sinto um pouco de trepidação porque reconheço toda a minha pequenez diante da mensagem a partilhar... na realidade não desejo outra coisa que retomar um caminho junto com vocês e torná-las participantes daquilo que o Espírito transmite a mim.
           Estamos iniciando a Quaresma, tempo “forte”, “oportuno”, de graça, que nos prepara para celebrar com renovado empenho e entusiasmo a Páscoa. Em sintonia com a igreja, acolhamos o convite a uma constante conversão para dar nova força á dimensão profética da nossa vocação. O mundo de hoje quer ver em nós consagradas um reflexo concreto do agir de Jesus e do seu amor incondicionado aos outros. Quer experimentar que é possível dizer com o apostolo Paulo: “Minha vida presente na carne, eu a vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou a si mesmo por mim” (Gal 2,20). Sejamos, portanto, abertas ao Espírito e prontas a acolher as oportunidades de conversão e de renovação interior que ele nos oferece.
           Nos ajuda, neste caminho quaresmal, o itinerário do projeto congregacional que nos convida a viver na espera da Regra de Vida, que é espera pascal. Depositemos, portanto a nossa atenção e reflexão sobre o aspecto proposto para esta etapa: “A Regra de Vida: itinerário de seguimento de Cristo”.
           O itinerário do seguimento de Cristo tem um caráter profundamente pascal, é a proposta de um percurso formativo que queremos realizar juntas, convite que só um caminho de comunhão vivido em plenitude pode tornar fonte de alegria e de santidade e também espelho atraente de testemunho e proposta vocacional no “lugar de missão” onde o Senhor nos colocou para anunciar Ele e o seu Evangelho. Colocar- nos no seguimento de Cristo exige a vontade de converter-nos, de nos configurarmos com aquele que é Homem-Deus, ser um com Ele, fazer- nos a sua imagem... E o caminho nos é ensinado por São Paulo... nos deixemos guiar por ele.

1. Nos Irmãs de Santa Ana no seguimento de Cristo

           Aderindo a Jesus caminho, verdade e vida (cf. Jo. 14, 6), nós seguimos uma metodologia de conversão contínua, que nos leva á plena maturidade em Cristo. Foi este o método do próprio Jesus que - afirma o Papa – seguiu “a pedagogia de conduzir gradualmente os discípulos, quase tomando-os pela mão, às alturas e profundidade misteriosas da sua verdade” (Catequese do Santo Padre Bento XVI).
Paulo, colocando-se no seguimento de Cristo, despojo- se de si mesmo para ser seu fiel discípulo. Mostrou este radical despojamento no total desapego destaque de si mesmo e das coisas, para uma autentica fidelidade a Cristo e a Igreja nascente, mesmo quando esta fidelidade lhe custou sofrimento e sacrifício.
           Colocando-se no seguimento de Cristo, entrou no mistério de um Deus que se fez homem para que o homem pudesse ter nele a verdadeira vida, de um Deus preocupado com a sorte de cada homem e que cuida dele. Disse o nosso Fundador : “ Deus criou o homem para que fosse feliz” e após a experiência do pecado ... “manda o seu filho. E ele, em um ímpeto de amor, se oferece ao Pai como sublime holocausto que resgatara o homem do pecado”.
           E também Julia, olhando com olhos de amor – misericórdia as suas filhas do cárcere, reconhece que elas fazem parte do plano salvífico de Deus: “Aquelas infelizes e eu éramos membros de uma mesma família , filhas do mesmo pai, plantas para o mesmo jardim celeste. Elas também tiveram uma idade da inocência! Também foram chamadas para a herança dos eleitos”.
           E Paulo como cuidou de cada ser humano? Foi um cuidado que mirava a regeneração de cada homem: “Fiz- me servo de todos, a fim de ganhar o maior número possível... para os fracos, fiz- me fraco, a fim de ganhar os fracos. Tornei-me tudo para todos , a fim de salvar alguns a todo custo” ( 1Cor. 9,19-23 ).
Então, o que significa para nós seguir Cristo? E qual é o preço desta decisão? É Jesus mesmo que nos dá a resposta: “Qualquer de vós que não renunciar a tudo o que possui, não pode ser meu discípulo” (Lc. 14, 33 ). O seguimento de Cristo exige de nós a reorientação da nossa vida rumo á pessoa do Senhor Jesus, a entrega da nossa vida a Ele:
* na escuta obediente á sua Palavra,
* na entrega total de nós mesmas á sua pessoa e á sua verdade.
Aos primeiros discípulos que, talvez ainda incertos e duvidosos, colocam-se no seu seguimento, o Senhor pede: “Que procurais?” (Jo. 1,38). Uma pergunta que faz também a nós hoje:
O que procurais?
O que procura o teu coração?
Em que você se ocupa?
Estas procurando a si mesma ou estas procurando o Senhor teu Deus?
Estas seguindo os teus desejos ou o desejo daquele que fez o teu coração e o quer realizar como Ele sabe e conhece? (cf. FT 4)
Para viver plenamente a “seqüela Christi”, tenhamos talvez, a necessidade de olhar “ao pequeno ângulo do nosso eu”: não será necessário esvaziá-lo de tantos pesos inúteis que servem para tornar pesado o caminho? É um exercício não fácil enquanto devemos abandonar coisas das quais somos apegadas, que fazem parte de nós mesmas, dos hábitos de vida, modos de pensar, de agir, de relacionar- nos, de organizar o dia...

2. No seguimento de Cristo, nós irmãs de Santa Ana, nos mergulhamos no mistério pascal que nos regenera

“... Eu morri para a lei, a fim de viver para Deus. Fui crucificado junto com Cristo. Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim. Minha vida presente na carne, eu a vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou a si mesmo por mim”. (Gal. 2,19-20).
São Paulo, escrevendo aos cristãos da Galácia, recorda-lhes que levam em seu corpo as marcas dos estigmas de Jesus, fazendo alusão ás cicatrizes das surras e dos apedrejamentos que sofreu por causa do evangelho. Ele as compara com as marcas dos escravos do tempo (este é o sentido de estigma), as quais eram sinais de pertença a um patrão e, portanto para Paulo constituem os sinais do ser escravo de Cristo Jesus. O apostolo Paulo é capaz de reler os episódios de injustiça sofrida á luz do mistério pascal e dar um sentido redentor ao mal sofrido.
A memória “passionis”, encarnada no terreno do nosso viver cotidiano, pode ajudar também nós a integrar toda a nossa vida pessoal. Abandonemo-nos e nos aprofundemos no esplendor dos vers. 19-20 e contemplemos a divina beleza da vida nova que nos foi dada. “... Eu morri para a lei, a fim de viver para Deus. Fui crucificado junto com Cristo. Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim. São palavras que convém decorar, para torná-las presentes em nós, sempre.

3. No seguimento de Cristo, nós irmãs de Santa Ana, nos conformamos a Ele e nos fazemos “uma” com Ele
“Tornai- vos, pois, imitadores de Deus, como filhos amados, e andai no amor, assim como Cristo também nos amou e se entregou por nós a Deus como oferta e sacrifício de odor suave”. (Ef. 5,1-2)
“Tornai-vos, pois imitadores de Deus” nos diz São Paulo. Deus é o único modelo que os homens podem imitar.
Sim, mas Deus... não o vemos, ninguém jamais o viu: como será possível imita- lo? Paulo responde: olhem a Jesus Cristo. Ele, homem como nós, é a imagem autêntica de Deus. “Caminhar na caridade, no modo que também Cristo vos amou”.
O segredo da imitação é o amor, é aquela carga divina de “ágape” que Jesus Cristo coloca á nossa disposição se soubermos confiarmos Nele. É somente graças a Cristo que nós podemos ser imitadoras de Deus: assim Ele torna- se referência vital e cotidiana da nossa existência ... a imitação vem por si mesma. Ainda é Paulo que nos diz: “Para mim o viver é Cristo ...” e, ao mesmo tempo, acrescenta: “ Sejam meus imitadores, como eu o sou de Cristo”.
Nós, provavelmente, seremos mais cautelosas em atribuir a nós mesmas o titulo de “imitadoras de Cristo”. Porém é um fato que quem entra em contato conosco deveria perceber na nossa pessoa alguma coisa que faz pensar Nele.
Quando Paulo se apresenta como modelo de vida cristã exprime esta conformidade a Cristo crucificado na aceitação dos sofrimentos da vida, e na mortificação do corpo. De fato, ele exorta, fala, sofre, ama com o coração de Cristo.
Desde o momento da conversão a sua vida se transforma em uma corrida incansável para configurar-se a Cristo crucificado e chegar a plena conformidade com ele. Este ideal deve tornar-se inspirador da nossa vida cotidiana: a nossa mente e o nosso coração devem tornar-se a mente e o coração de Cristo.
Gostaria de concluir dizendo que a espera da Regra de Vida é, portanto, empenhativa, e precisa:
• empenho no seguimento de Cristo, dando novamente sentido e qualidade ao
nosso ser consagrada.
• Capacidade de uma intensa vida espiritual que evita toda forma de mediocridade e amborguesamento.
• Disposição para enfrentar com coragem as provações e os desafios atuais.
• Abertura a uma formação permanente como empenho indispensável para chegar a uma progressiva assimilação dos sentimentos de Cristo.

Olhemos para a audácia dos nossos Fundadores, audácia não tanto nas obras que realizaram, mas no seguimento de Cristo que manifestaram em suas escolhas concretas. Foram corajosos e criativos em testemunhar para a sociedade do seu tempo e para a Igreja a paixão deles por Deus e pela humanidade necessitada de salvação, sobretudo na sua porção mais pobre e indefesa: a infância e a juventude.
Irmãs, desejo antes de tudo a mim e a cada uma de vocês um verdadeiro caminho quaresmal na disponibilidade em seguir as pegadas de Cristo que passam pela Cruz para resplandecer na Páscoa definitiva.
A todas envio saudações também da parte da Madre e das Conselheiras.

Aff.ma

Suor Anna Maria Gamba


CARTA DA VIGARIA GERAL
( janeiro / fevereiro de 2009)

Queridas irmãs,

Estou feliz por estar comunicando- me com vocês e, em nome da Madre e das outras Conselheiras, desejar- vos um feliz 2009. São desejos de bem, de paz e de tudo aquilo que o Senhor na Sua infinita bondade e sabedoria quer para cada uma de nós,para a nossa família religiosa, para os nossos familiares e para todas as pessoas que Ele coloca no nosso caminho.
O fim de um ano e o início de um novo são sempre uma ocasião para esclarecer a própria vida, para recomeçar com maior entusiasmo. E ainda mais para nós, irmãs de Santa Ana, que nesta fase pós – capitular nos propomos de viver o ano 2009 em atitude de espera, para acolher a Regra de Vida, como dom do Espírito, que nos será entregue novamente após a aprovação eclesial. De fato, como foi anunciado no precedente numero dos ACG, o objetivo do nosso empenho comum é : “Redescobrir que a estrada para nós, Irmãs de Santa Ana, no seguimento de Cristo, é a Regra de vida, transmitida pelo Espírito aos Fundadores e reconhecida pela Igreja”.
A primeira vista, , essa afirmação talvez pode parecer uma repetição, algo já dito várias vezes, e seremos tentadas a nos perguntarmos: não foi esse o objeto do nosso estudo e da nossa reflexão nesses últimos anos, e particularmente na preparação e celebração dos Capítulos? Então o que devemos descobrir ainda?

1. Uma estrada se abre para nós
Uma das coisas mais fascinantes deste trabalho e de re-escritura das Constituições, foi sem dúvida o aprofundamento da nossa identidade carismática. Procurávamos a resposta para a pergunta: quem somos? Quem somos nós, SSA na Igreja? A Regra de Vida é a resposta para essa pergunta. Essa é a estrada traçada por nós, por você, por mim, inscrita no chamado ao qual cada uma de nós respondeu “Eis – me aqui!”, poucos ou muitos anos atrás. Naquele dia eu coloquei a minha assinatura, aderindo ao plano de Deus para mim, declarei publicamente de viver segundo a “Regra das regras”, disposta a ir lá, onde a vós que disse- me “Vem”, indicava- me.
Penso que uma das imagens “vocacionais” mais comuns, porque muito significativa, é a imagem de um jovem diante de uma encruzilhada com os sinais de trânsito que indicam as diversas “vocações”. Pessoalmente recordo que fui tocada quando, em um retiro no ultimo ano da segundaria, vi este desenho em um livrinho, mesmo se não foi aquele o momento no qual comecei a pensar seriamente na Vida Religiosa.. Foram ainda necessários ainda alguns anos , antes de poder tirar o ponto de interrogação e escrever no seu lugar um belo “Sim”. Naquele dia abriu- se diante de mim uma nova estrada.
Esta é sem dúvida a história de todas nós, que em diversos modos e em diversos momentos embocamos a estrada sobre a qual sentimos o chamado do Senhor. Aos poucos descobrimos os traços distintivos desta estrada e aquilo que a caracterizava como estrada das irmãs de Santa Ana. E como constatamos antes, essa estrada nos será apresentada pela Nova Regra de Vida a apresentará a nós em modo mais claro, mais profundo, mais vivo. Sentimos o desejo de te- La nas mãos?!
Temos que ter paciência! O Senhor nos doa este tempo de espera durante o qual queremos nos prepararmos para recebe- La com mais consciência , aguardar como se espera uma pessoa amada, porque a Regra é para nós a explicitação da Palavra de Deus, é a revelação do mistério trinitário aos nossos Fundadores, a experiência deles de Jesus que é Caminho , Verdade e Vida.

2. A Regra : uma estrada necessária ou opcional?

A Regra é aquilo que delineia o nosso rosto, indica- nos quem somos, de onde viemos e para onde vamos, por isso é como uma estrada, que tem sempre um ponto de partida e um ponto de chegada. Mesmo aquelas estradas que não levam a uma meta específica, como uma estrada sem saída, possuem um inicio e um fim. Mas não queremos seguir este tipo de estrada! A estrada traçada para nós tem uma direção bem definida, cabe a nós segui- La fielmente para poder alcançar a meta que ela indica.
Pelo contrário, uma estrada vazia, deserta, sem ninguém que a percorra, não serve para nada. Permanece ali e todos os seus sinais de transito, que mesmo mostrando a direção, as etapas intermediárias e também a meta, não servem para nada. Se não tem ninguém que os leia, a estrada permanece inutilizada.
Ou, pode acontecer que a estrada é bem utilizada. É movimentada, com tanta gente que vem e vai, mas que não olha os sinais de trânsito. Podemos imaginar o resultado...ultrapassagens perigosas, acidentes em cada curva, quem perde- se e volta para trás , quem confiou muito em si mesmo e agora encontra- se em um atalho ou desvio que o levou muito longe da sua meta... Pergunta: tem alguém que ainda pensa que a estrada com um preciso código de trânsito é opcional?
Mas não desviemos muito do nosso discurso sobre a Regra de Vida! Sim, para nós irmãs de Santa Ana, a estrada é a Regra de Vida. Porem, não basta te – La recebido, estudado e colocado sobre o criado ou na gaveta, mesmo se ao alcance das mãos.. A Regra de Vida é a minha vida! Devo senti- La minha.
No processo de re- escritura, todas nos sentimos envolvidas, quem mais, quem menos, segundo o empenho que teve no aprofundamento para o trabalho de consulta em nível de comunidade, de Província/ Delegação e em nível de Congregação. Certamente este estudo nos fascinou, nos fez tocar com a mão a riqueza bíblica, teológica, carismática das nossas fontes, mesmo assim, não basta isso para que possa senti – La minha. È necessário um encontro mais existencial, um colocar- me diante da Regra em uma disposição de maior diálogo, “ a tu per tu” com ela , para deixar – me tocar pelo seu espírito no profundo do meu ser.

3. Caminhar requer treinamento

Colocar- me diante da Regra de Vida não é um exercício de escritório. Se a Regra é a minha estrada, ela coloca- me em movimento, a caminho. Mas não é só um caminhar exterior. A observância da Regra é , antes de tudo, um movimento interno, um crescimento na fé, sem o qual a vida seria desordenada e em contínua agitação. A Regra, pelo contrário, dá á minha vida um sentido e uma harmonia; dando á minha vida uma direção específica, faz – me caminhar com um passo decidido e com ritmo. Como Jesus, que dirigi- se decididamente para Jerusalém.
De fato, a palavra estrada faz- me recordar que como Ele, também eu sou uma peregrina. Não posso diminuir o passo ou distrair- me com passatempos inúteis. A Regra indica- me os valores, as atitudes, os comportamentos, as relações que devo estabelecer com as pessoas com as quais vivo e encontro e com as coisas que encontro no meu caminho.
Queridas irmãs, com a Madre e as outras Conselheiras nos interrogamos sobre a orientação que nos demos para esta primeira etapa do nosso caminho pós – capitular. A ficha de animação que vocês encontrarão em anexo, é o fruto deste discernimento em comum, e a oferecemos a vós como pista para entrar neste treinamento.. é um modo que ajuda- nos a abrirmo- nos ao Espírito, para deixar que a Palavra fale verdadeiramente a nós, ilumine a nossa mente, toque o nosso coração e mova a nossa vontade para atuar a Palavra segundo a vontade do Pai.
A recente Instrução da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada Faciem tuam, apresenta a Vida Consagrada como “testemunhas da procura de Deus” (FT 1). Diz que a comunidade religiosa, “comunhão de pessoas consagradas que professam de juntas procurar e cumprir a vontade de Deus”, encontra aqui o seu significado. E é a Regra que é mediação para esta procura, “ mediação humana mas sempre com autoridade, imperfeita mas vinculante , ponto de arranque do qual partir cada dia.(FT9).
Nos preparemos para acolher a Nova Regra de Vida, a nossa estrada, com coração renovado, em um sério empenho de conversão para cuidar e seguir fielmente as vias e as leis do Senhor ( cf. Sal. 119) . De fato, como é expresso da sua raiz hebraica, o termo conversão sugere a imagem de uma pessoa que ao perceber que está caminhando sobre a estrada errada, decide de voltar atrás e encaminhar- se para uma direção diferente. Nos deixemos interrogar sobre as palavras de São Paulo: Admiro – me que tão depressa abandoneis aquele que vos chamou pela graça de Cristo, e passeis a um outro evangelho... ( Gal 1, 6ss).
No desejo de sermos iluminadas, também nós, pela luz da estrela, caminhemos como os Reis Magos sobre a estrada que a Regra nos indica. Vem – me espontâneo desejar- lhes, ou mesmo desejar a nós “Boa Viajem”, para que todas juntas possamos chegar sãs e salvas á meta.

Aff.ma

Ir. Márcia Lobo
Vigária Geral


CARTA DA MADRE GERAL
( Novembro de 2008)

Caríssimas irmãs,
Desejo iniciar esta minha carta recordando as seguintes palavras endereçadas às Capitulares dia 24 de agosto de 1996, pelo nosso amado Papa João Paulo II, de feliz memória: “O Capítulo terminou; agora, vivam os seus frutos de graça”. Estas palavras desafiadoras me parecem muito significativas e pertinentes também para nós hoje. Sim, que cada Irmã da nossa querida Congregação possa viver em plenitude os frutos do evento de graça que foi o nosso 32° Capítulo Geral, é o desejo intenso e a oração de cada membro do Conselho Geral. É este mesmo desejo que moveu a nossa programação para os próximos seis anos, particularmente para o ano de 2009.
Inspirada pela Palavra: “Recordo-te de reavivar o dom de Deus que está em você”
(2 Tim 1,6), formulamos o Objetivo Geral para este sexênio 2008-2014, como segue:
“Reavivar em nós a herança carismática recebida dos nossos Fundadores e de Madre Henriqueta contida na Regra de Vida, para ser por nós vivida, conservada e transmitida em comunhão com Cristo, com a Igreja, com a nossa Família Religiosa”.
À luz deste objetivo, recordamos de novo as três palavras chaves, Carisma, Comunhão e Formação Permanente, sublinhadas na minha última carta, as quais deveriam caracterizar e marcar o nosso caminho comum nos próximos anos.
Nos propomos de viver este primeiro ano em uma atitude de espera, para a aprovação da nossa Regra de Vida por parte da Santa Sé, e em uma atitude de alegria e abertura para acolhê-la. Os outros anos serão dedicados na interiorização da Regra de Vida através de um processo formativo para encarnar os valores contidos nela.
Além disso, segundo a Deliberação do Capítulo, nos dedicaremos ao estudo do Diretório, afim de que também ele chegue à redação final.
1. …em atitude de espera
Enquanto, nos alegramos em fazer memória de como o texto foi aprovado com um forte consenso das Capitulares, nestes meses ele está recebendo uma ulterior revisão redacional e será, no mais breve tempo possível, enviado ao Dicastério para a aprovação eclesial. A nossa prioridade, agora, é viver este período em uma atitude de espera.
Espera que significa, nos querer colocar em sintonia com a riqueza contida em um texto que sentimos nosso, e que repercorre o caminho carismático dos Fundadores no hoje da nossa história, e que continuará porque é um dom do Espírito.
Espera que é já saborear e sentir nossa a Regra de Vida, como parte do nosso ser e do nosso viver; espera de quem espera e se prepara para uma festa.
Espera que se transforma em caminho de conversão em vista de uma aceitação plena e de uma adesão, pessoal e comunitária, da Regra de Vida.
Fico contente de enriquecer a nossa reflexão sobre este tema da “espera”, tão bonito e essencial para a nossa vivência quotidiana, citando um texto muito significativo tratado em uma carta pela nossa caríssima Madre Franceschina (cfr. ACG 209-210):
“Vivamos este tempo de espera na invocação do Espírito, Aquele que nos guia à verdade completa, para que sob a sua luz possamos reconhecer o Desígnio que Deus Pai tem sobre a nossa Congregação e possamos percorrer o itinerário que o Espírito traçou para nós.
No fundo, toda a nossa vida é espera de um cumprimento, espera que a luz de Deus nos alcance e nos mostre a verdade de nós mesmas e do mundo em que vivemos. É o tempo da noite, iluminada pela oração, pela vigilância, é o tempo do desejo, do sonho, da fadiga e da alegria; do pensar juntas, na espera do amanhecer, de uma nova aurora, para cada uma de nós e para a nossa Congregação”.
2. Ao coração da nossa Regra de Vida
Uma das propostas apresentadas pelas Capitulares ao Conselho Geral, de se considerar na programação do caminho comum de Congregação, é assim formulada: “Através dos ACG, continuar a oferecer subsídios formativos para as comunidades, tendo presente o binômio Palavra de Deus – Carisma. Ao mesmo tempo propor linhas de orientação que ajudem a entrar na Regra de Vida”.
Para nós, parece que o melhor modo para entrar nos conteúdos que a Regra de Vida nos propõe, seja um estudo profundo do artigo 229, o qual, ao passo que parece um epílogo da nossa Regra de Vida, é na realidade a alma e o centro, a soma e a essência de tudo aquilo que este texto sagrado nos oferece.
O artigo 229 não estava presente no Esboço que chegou a todas vocês em fase de consultação. Todavia, ele é pedido para a aprovação eclesial e corresponde ao art. 155 das Const. de 1980 e aos art. 151-152 das Const. de 1846.
Tal texto foi elaborado diretamente em Capítulo; é o fruto de profunda reflexão e oração e de um impenhativo confronto assemblear. A linguagem sintética e incisiva que o caracteriza tem a finalidade de colocar cada Irmã de Sant’Ana diante da Regra de Vida como a um livro sagrado, uma espécie de Torah para o nosso povo, de Palavra de Deus pronunciada de modo original e único para a nossa salvação.
Assim se exprime:
“Para nós, Irmãs de Sant’Ana, a estrada é a Regra de Vida,
que resume um itinerário de seguimento de Cristo,
qualificado pelo carisma fundacional.
Na consciência que a nossa vocação é uma graça do Senhor.
Esperamos com toda atenção possível
a conformar-nos em tudo a Jesus Cristo.
Acolhemos a nossa Regra de Vida
como tradição viva da experiência do Espírito
dos nossos Fundadores e da Bem-Aventurada Henriqueta,
para ser por nós “vivida, conservada, aprofundada e constantemente desenvolvida, em sintonia com o Corpo de Cristo em perene crescimento.

Por ser relativamente breve, o art. 229 assim denso de conteúdos, que o escolhemos como temática central para o nosso caminho de formação à Regra de Vida no próximo ano de 2009, durante o qual queremos tornar profundamente conscientes que essa é indispensável para plasmar a nossa identidade.
3. Orientações da Programação
Da Ficha de Animação anexada neste número dos Atos, podeis ver que individuamos quatro orientações retiradas do artigo 229, acima citado, que formam as linhas orientativas para viver a prioridade do ano, isto é: A Regra de Vida: em atitude de espera. Essas constituirão as temáticas das fichas de animação pessoal e comunitária, que aqui antecipo brevemente:
? A Regra de Vida: a estrada para nós
As Constituições de 1846 nos fazem entender de modo muito bonito a verdade que, a nossa estrada de santidade é a Regra de Vida. Assim se exprime: “a estrada das irmãs de S. Ana são as suas regras, nas quais devem caminhar de virtude em virtude até que vejam o seu eterno esposo em Sião, porém caminhem sabiamente e atentamente sem afastar-se nem à direita nem à esquerda” (art. 152).
? A Regra de Vida: um itinerário de seguimento de Cristo.
Como pessoas consagradas, o nosso primeiro compromisso é crescer na plenitude de Cristo, esforçando-nos para nos tornarmos sempre mais como Cristo: nos pensamentos, nas palavras e nas ações. Em Vida Consagrada 37 temos uma adequada descrição de como a Regra de Vida traça para nós o caminho de seguimento a Cristo:
“Contudo, há que manter viva a convicção de que a garantia de toda a renovação, que pretenda permanecer fiel à inspiração originária, está na busca de uma conformidade cada vez mais plena com o Senhor. Neste espírito, torna-se hoje premente em cada Instituto a necessidade de um renovado referimento à Regra, pois, nela e nas Constituições, se encerra um itinerário de seguimento, qualificado por um carisma específico e autenticado pela Igreja”.
E também, o art. 150 das Constituições de 1846 reforça o mesmo pensamento: “Todas acolham com atenção especial as coisas espirituais, das quais, somente, deriva aquele fervor interno que nos move docilmente a conformar-nos em tudo a Jesus Cristo nosso divino exemplo e esposo das nossas almas”.
? A Regra de Vida: tradição viva da experiência do Espírito
Manter viva a chama do espírito acesa nos nossos Fundadores e transmitida a nós, requer conversão constante e renovada fidelidade mediante a abertura à inspiração do Espírito.
“Eles, disponíveis e dóceis à sua orientação, seguiram a Cristo mais de perto, penetrando na sua intimidade e compartilhando-lhe plenamente a missão. A sua experiência do Espírito precisa ser não apenas custodiada por quantos os seguiram, mas também aprofundada e desenvolvida” (PC 20).
? A Regra de Vida: em sintonia com o Corpo de Cristo
Nos nossos Fundadores e na Bem-Aventurada Madre Henriqueta vemos um profundo e vivo sentido de pertença à Igreja. A nossa Regra de Vida nos ajuda e nos guia no formar o cor unum, a unidade que Cristo nos pregou: “que sejam um”.
Lemos em VC 47: “As pessoas consagradas são chamadas a ser fermento de comunhão missionária na Igreja universal, pelo fato mesmo de os múltiplos carismas dos respectivos Institutos serem concedidos pelo Espírito Santo para o bem de todo o Corpo Místico, a cuja edificação devem servir (cf. 1 Cor 12,4-11).
Caríssimas Irmãs, que a contemplação da comunhão trinitária nos ajude a alcançar esta meta do nosso chamado, afim de que nos tornemos verdadeiramente aquilo que o mundo espera de nós: ser “espertas em comunhão”.
4. Caminhando com a Igreja
Como nos outros anos, também este ano, queremos inserir a nossa Programação na moldura do Projeto da Igreja, viver no sulco da sua sapiente proposta, que coloca ao centro do caminho cristão a Palavra de Deus e celebra o Ano Paulino, em comemoração aos dois mil anos do nascimento de São Paulo, uma grande figura de apóstolo que soube viver na radicalidade a escolha de Cristo e da Sua mensagem.
Além disso, também a Igreja está vivendo a espera do documento final do Sínodo dos Bispos centrado sobre a Palavra de Deus, recentemente concluído.
Em sintonia com o seu Magistério, portanto, as rubricas dos Atos do Conselho Geral serão retiradas de alguns Documentos pertinentes ao tema do Sínodo que nos farão refletir sobre ensinamentos de São Paulo.
Concluo esta minha carta, caríssimas Irmãs, anunciando que dia 10 de dezembro deste ano, a nossa Congregação entra no 175° ano da sua história. Partindo outra vez do aniversário do nosso “nascimento”, comprometamo-nos vivamente a fazer dele um ano de intensa preparação espiritual e de verdadeira conversão de coração e de mente, para que possamos “revestir-nos”, para assim dizer, sempre mais da mente e do coração dos nossos venerados Fundadores. Façamos de modo que seja um ano no qual nós bebamos profundamente nàs nossas Fontes para conhecê-las, amá-las e melhor encarná-las. Que seja um ano que nos mantenha ativas e criativas em nossa missão com os mais pobres dos pobres, procurando sinceramente viver segundo as intenções de Carlos Tancredi e Júlia, sendo, como eles, instrumentos de Providência e Misericórdia, semeando sementes de esperança e felicidade em cada coração atribulado. Sou segura que este será o modo mais eficaz e frutuoso de celebrar este evento histórico no próximo ano. Que possamos interrogar-nos: “Qual é a minha resposta a esta proposta”?
Deixo esta pergunta para a vossa reflexão e acrescento as minhas saudações para o Advento, o período de espera por excelência que a liturgia nos oferece, e que nos torna atentas aos sinais da presença de Deus conosco. Enfim, confio à vossa oração o encontro que programamos para os dois Conselhos Provinciais italianos, dia 27 e 28 de dezembro de 2008 e para as 55 Missionárias na Itália, dia 3 e 4 de janeiro de 2009, e vos saúdo com tanto afeto também em nome das Irmãs do Conselho.

Aff.ma Madre
Suor Ernestine Fernandes


O CONSELHO GERAL – Maio/2008


Madre e Conselheiras

Queridas irmãs,
Escrevemos a vocês no alegre e rico clima Pascal e vos saudamos com o anuncio de paz do Cristo Ressuscitado.
Através desta carta queremos prosseguir o caminho na partilha do quanto a Palavra de Deus continua a operar misteriosamente mas realmente na nossa vida. Este nos parece ser o melhor modo para responder a uma duplo chamado: aquele da Igreja Universal que está se preparando para viver o Sínodo sobre o tema :” A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja” e aquele da nossa “pequena Igreja”, a Família Religiosa da qual fazemos parte, que si prepara para celebrar o evento do XXXII Capitulo Geral.
Continuamos a ter confirmações de que o caminho centrado sobre a Palavra é a justa chave para enfrentar quanto o Senhor nos pede neste momento da nossa história; em particular nesta carta, queremos refletir com vocês sobre a relação que descobrimos entre Palavra e o Discernimento. Sentíamos forte em nós a exigência de entrar mais em uma atitude de discernimento e o empenho para viver a Lectio divina comunitária, motivadas pelo tempo que a Igreja nos deu em preparação para a Páscoa, ajudou – nos a a nos aproximarmos deste objetivo. Continuamos a experimentar que a Lectio divina, feita juntas, é uma grande riqueza por que absorve do inexaurível tesoura da sabedoria de Deus. Cada vez poderemos dizer com o salmista: “ Quão profundo são os vossos pensamentos..e se termino, ainda estou contigo.” (Sal. 139, 17 – 18).

Palavra – discernimento
O empenho assumido no inicio do ano, de viver a nossa vida em um estilo capitular, nos desafia continuamente a procurar novamente as atitudes de um autentico discernimento.. O que se torna cada vez mais claro é que o dom do discernimento pode nascer somente da Palavra de Deus. É á luz da Palavra que se pode distinguir os espíritos: isto é, se trata-se de uma inspiração a seguir ou de uma tentação para afasta – la. Também Jesus no deserto, diante da tentação, sabe discernir, porque vive de cada Palavra que sai da boca de Deus: “Está escrito...” (cfr. Mt. 4,4).
A fim de que a Palavra opere em nós este prodígio é necessário aproximar – se dela com um comportamento certo, ser conduzidas pelo Espírito dentro de uma escuta amorosa da Palavra, conscientes de que nela encontramos o verdadeiro rosto do Pai.
Agradecidas a Deus por quanto nos fez experimentar, decidimos viver o caminho quaresmal escolhendo uma Palavra-guia, ou seja, um versículo do Evangelho que criasse unidade neste processo sobre um duplo aspecto: unidade entre nós, a ser construída através do confronto nosso com a mensagem a ser encarnada no cotidiano; unidade dentro de nós , porque uma tal escolha nos dava a oportunidade de reconduzir para um centro o nosso caminho pessoal de crescimento na fé.
A Palavra escolhida foi: “ Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e consumar a sua obra” (Jô. 4,34).
Sentíamos também a exigência de evitar um perigo que pode apresentar- se quando lemos as Sagradas Escrituras: aquele de interpreta – la segundo o que vivemos e faze- la dizer aquilo que queremos. Entendíamos que esta atitude seria contrária a um discernimento sereno, portanto era sempre mais necessário aprender a aproximar- se da mensagem bíblica de modo objetivo, conhecer o que a Palavra diz em si mesma, não para encontrar confirmação dos nossos projetos, mas para conhecer e acolher o Projeto que Deus tem para nós. Assim decidimos de viver juntas não só a communicatio, mas também o momento da lectio. Uma de nós , fazendo turno, aprofundava e nos ajudava no conhecimento do texto bíblico do Domingo, através da procura de explicações de autores ou exegetas confiáveis, de comentários válidos que colaborassem para iluminar a nossa mente sobre o que Deus queria comunicar no momento em que foi escrita aquela Palavra.

Palavra, dom do Alto
           O fato de nos exprimirmos e partilhar as nossas expectativas neste tempo forte, focalizando a nossa atenção sobre uma Palavra-guia, foi um grande dom. Já o consideramos um fruto da partilha, um dom do alto recebido através da comunidade, um dom para acolher e fazer frutificar posteriormente na nossa vida. Enquanto se passavam as semanas, domingo após domingo, percebemos vivamente que aquela Palavra – guia era progressivamente aprofundada e esclarecida pelos textos aos poucos encontrados, ao mesmo tempo, éramos por ela iluminadas.
           A Palavra lança luz sobre a Palavra e dela torna – se o comentário mais respeitável, a exegese mais considerável. O estupor deste evento nos faz entender que , tratando – se de um dom, deveríamos nos dispor com a abertura e a gratidão próprias de quem acolhe o dom em si, em uma palavra se tratava de colocar – se em escuta , pressuposto de qualquer discernimento.
           O momento da escuta é aquele no qual a Palavra nos revela a vontade de Deus, a apresenta á nossa mente em sua plena verdade: “Os meus pensamentos não são os vossos pensamentos” ( Is.55,8). É o momento privilegiado da fé, ou seja, do modo novo de ler a própria vida, de ler os acontecimentos á luz dos episódios da vida de Jesus. Em modo particular a sua profunda comunhão com o Pai. A nossa Palavra – guia “Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e consumar a sua obra” nos ajudou a entrar nos sentimentos de Jesus e contemplar o seu amor e a sua obediência para com o Pai. Esta linha direta com o Pai foi a fonte da sua força e da sua aceitação de ser entregue á morte pela nossa salvação.

O nosso “Sim” á Palavra

Se a mente se deixa verdadeiramente iluminar pela luz da fé, imediatamente se compreende que , antes de qualquer discernimento, se faz necessário um passo posterior. São Paulo explica na carta aos Romanos que um pressuposto para o discernimento é não conformar –se com a mentalidade deste mundo, mas renovar – se transformando a nossa mente(cfr. Rm12,2). É o passo da conversão, no qual se manifesta não só um consentimento de fé, mas uma adesão de amor á Palavra que se revelou a nós.
           Fazer a lectio juntas é um dom, mas, só se nos deixamos interrogar pela Palavra e aceitamos o desafio de nos expormos, não só no momento da Lectio propriamente dita, mas na vida, pois é ali que nos encontramos com a verdade de nós mesmas. Somos conscientes da grande potencia espiritual que a Palavra comporta, mas também da própria fraqueza, da preguiça interior que, ao invés de nos fazer acolher o desafio, nos induz a repetir o nosso costumeiro modo de reagir. São situações nas quais se escolhe, muitas vezes, a estrada mais fácil, não aquela estreita, se escolhe, mesmo inconscientemente, aquilo que corresponde a uma necessidade própria, e não o valor no qual dizemos acreditar: é o nosso modo de evitar a cruz.
           O saber abraçar a Cruz no seguir Jesus, inclui momentos, e as vezes, tempos longos de sofrimento, escuridão e incertezas. Desejamos pensar e ver segundo Deus, mas na vida concreta, acontece que as escolhas que devemos fazer, não são logo evidentes. As situações são complicadas, muitas vezes trazem em si o peso de um passado que bloqueia, por isso não é fácil tomar decisões justas. Em relação ao cego de nascença do Evangelho de S. João, os discípulos pedem a Jesus: “quem pecou, ele ou os seus pais, para que nascesse cego?” A Palavra nos coloca diante da nossa cegueira e, diante da complexidade das situações, não é simples individuar a estrada que conduz ao verdadeiro bem. É por isso que tomar decisões leva a viver momentos de morte , que só a fé pode sustentar, a fé na Ressurreição. “Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, mesmo se morre, viverá; aquele que vive e crê em mim , não morrerá eternamente. Crês nisto?” Perguntou Jesus a Marta pouco antes de fazer o milagre da ressurreição de Lazaro.

A Palavra faz cumprir a Sua obra
A Palavra – guia, iluminada pela Palavra oferecida pela liturgia, nos revelou progressivamente que a Vontade de Deus é essencialmente a salvação de cada homem, que se realiza ao restabelecer a comunhão entre a criatura e o Criador, comunhão rompida pelo pecado. Mas como Jesus realiza essa vontade do Pai?
A celebração dos mistérios do Tríduo Pascal nos faz contemplar isso: o Filho, assumindo a carne humana, era consciente que, para restaurar a relação da comunhão Deus – homem teria que passar pela crucificação e a morte, com o dom total da vida. Jesus não foge dos acontecimentos da Paixão, os enfrenta como protagonista, por amor. Este acontecimento reacende a esperança para toda a humanidade, para cada uma de nós.
Toda a vida de Jesus parece ser movida por uma só e grande pergunta: “Qual é o maior bem para o homem?” E esta paixão sustenta cada escolha sua , feita conscientemente até as extremas conseqüências. A única vontade de Deus portanto, é Amor, é História salutis, é fazer da humanidade pecadora a sua família.
Que conseqüências tem isso para nós?
P. Dutto comenta: “A Palavra revela todo o projeto de Deus, que é sinônimo da sua Vontade. A Comunhão Deus – homens é a vontade de Deus”. E ainda: “ Amesquinhar a Vontade de Deus nos condicionamentos da vida pessoal e comunitária reduz a sua amplitude e luminosidade. Os seus confins são ilimitados.”
No concreto da vida somos levadas a fazer coincidir a Vontade de Deus com os acontecimentos, orientação dos superiores, lugares, atividades... Ao invés, a Vontade de Deus será encontrada na orientação dos superiores e nos acontecimentos da vida que são a mediação dela e exprimem sempre e somente o Seu amor por nós. Nesta ótica seremos capazes de ir além dos condicionamentos da vida pessoal e comunitária, para dar de verdade uma resposta de amor. A situação não importa mais nada, porque cada situação é Vontade de Deus: e eu a vivo quando estou bem, quando estou doente, quando estou na luz e quando estou na escuridão.
Independente de como vão as coisas, dentro tem um projeto de comunhão a perseguir. Portanto, em qualquer situação eu me encontre, tenho uma só coisa a fazer: pensar na comunhão, acolhe – la, agradecer, fazer a minha parte, com um Eis – me aqui sem limites. “Meu alimento é fazer a Vontade do Pai” e a Vontade de Deus é a Comunhão. Por isso Cristo morreu e ressuscitou.

Os frutos da Palavra
           Durante o Tríduo Pascal passamos alguns dias em Ariccia, perto de Roma em uma casa de espiritualidade dos Paulinos, nos quais tivemos a oportunidade de partilhar o caminho percorrido á luz da Palavra. Alem das reflexões acima comunicadas, constatamos alguns pequenos brotos, dos frutos que pareciam amadurecidos pelo discernimento sobre a Palavra.
           Antes de tudo, ter feito a Lectio divina sobre textos da Liturgia, iluminados por um Palavra - guia nos nutriu de tantas riquezas, enquanto nos obrigou a superar a fragmentalidade, para entrar em um caminho unitário, seja pessoalmente que comunitariamente.
           Um outro belo fruto que constatamos com alegria, foi a experiência de partilha com a comissão pré-capitular. Não nos limitamos a um trabalhar juntas, mesmo com tarefas e papeis diferentes, mas a construir o cor unum entre nós. Refletindo e analisando as contribuições que chegaram dos Capítulos Provinciais e de Delegação, nos interrogamos sobre quais fossem as solicitações que emergiram da nossa Família Religiosa, colocando – nos diante das mesmas com a mesma atitude de escuta – discernimento, que a Palavra nos estava ensinando . Enquanto procuramos responder á pergunta: “Qual é o verdadeiro bem da Congregação hoje?”, rendemos graças a Deus pelos paços dados e pedimos luz para aqueles a serem dados em preparação ao já próximo evento capitular.
           Enfim, agradecemos pele beleza do dom da comunhão que nasce da Palavra. É uma tomada de consciência que nos fez louvar a Deus pelas experiências de unidade, e pedir perdão pela situações nas quais a comunhão ainda deve ser construída, essa falta é uma chamada de atenção á nossa responsabilidade.
           Desejamos por isso continuar mais intensamente este empenho rumo a celebração de Pentecostes, cheias de esperança na plenitude do Espírito. Pedimos a vocês de unirem – se a nós nesta espera com oração fervorosa e adesão cotidiana á vontade de Deus.
           Maria, a mulher do discernimento, toda plena do Espírito Santo, a Virgem da obediência incondicionada a Deus, nos guie e com ela a Bem Aventurada M. Henriqueta, que recordaremos com imensa gratidão no dia 7 de Maio, no 30º da sua beatificação: seja ela a nos estimular a viver na fidelidade e per il solo gusto di Dio.
           Este é o nosso desejo para cada uma de vocês para o mês de maio, mês de Maria, tão rico de festas litúrgicas: Ascensão, Pentecostes, SS. Trindade, Corpus Domini e Visitação da Beata Virgem, e para os poucos meses que nos separam do nosso Capitulo.

Com affetto sincero, in unitá com Cristo Risorto.

Aff.me Madre e Conselheiras

 

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